terça-feira, 6 de dezembro de 2016

MEU PRIMEIRO AMOR




Na minha adolescência
Tive a primeira paixão,
Assim que avistei Gisele
Botei-a no coração,
Moça cheia de encanto
Belezura e sedução.

Fiquei logo apaixonado
Somente nela a pensar
Escrevi-lhe uma cartinha
Mandei alguém lhe entregar,
Na cartinha eu pedia
Gisele pra namorar.

Logo veio a resposta.
O namoro ela aceitou.
Fui me encontrar com ela
Minha mão ela pegou
E deu-me o primeiro beijo
Que mais me apaixonou.

Eu adorava beijar
Os lábios da pequenina,
Cheirava os seus cabelos
Dizendo: - Minha menina,
Vou me casar com você
Porque você me fascina.

Um dia fui encontrá-la
Como um louco sonhador,
Naquele dia Gisele
Renegou o meu amor
E trocou-me cruelmente
Pelo filho do Doutor.

Deu vontade de matá-los,
O crime eu planejei.
Muitas noites na dormida
Por muito tempo chorei
Pensando na traição
Que da mocinha ganhei.

Desisti do assassinato,
Deixei meu interior,
Depois de vinte e dois anos
Eu nunca esqueci a flor.
Na vida ninguém esquece
O seu primeiro amor.

Cicero Manoel Cordelista / Santana do mundaú – AL / 6 de dezembro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

DESPEDIDA DE AMOR























 



Estou como um Beija-flor
Sem flores para beijar,
Estou perdido num mar
Sombrio e avassalador.
Parece que toda dor
Que existe de mundo afora
Alojou-se em mim na hora
Que ela me abraçou
A minha boca beijou
Disse adeus e foi embora.

Estou como uma viola
Sem as mãos do violeiro,
Como ave em cativeiro
Triste dentro da gaiola.
Como um jogador sem bola,
Como uma igreja sem sino.
Estou mesmo sem destino,
Pois quando ela me deixou
Meu coração se rasgou,
Fiquei frágil igual menino.

Ali da minha janela
Eu a vi então partir
E de mim se despedir
Acenando da cancela.
De longe olhando pra ela
Eu abracei a tristeza
O que era só beleza
Virou feiura e tormento
Vendo naquele momento
Partir a minha princesa.

Naquela hora fiquei
Sem terra para pisar,
Deu vontade de chorar
O choro não controlei.
Nas lágrimas mergulhei
Vendo um abismo na frente,
Até hoje estou doente
Pois nada cura a dor
De ver o seu grande amor
Partir pra longe da gente.

Aqui fico relembrando
Com pensamentos distantes
Os beijos alucinantes,
Que demos se enlaçando.
Da minha janela olhando
A estrada que a levou
Me olho e vejo que estou
Banhado pela saudade
A minha felicidade
Seus passos acompanhou.

Meus dias são de tristeza
Depois que ela disse adeus.
Procuro nos dias meus
Seus olhos na natureza.
O verdor e a clareza
Preenchem a minha mente
Fecho os olhos de repente
Sonho com ela chegando
Me abraçando e beijando
Minha boca novamente.

Cicero Manoel Cordelista /Santana do Mundaú – AL / 13 de outubro de 2016


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O GALÃ A MUSA E O EMPRESÁRIO





























Nessa eleição pra prefeito
De dois mil e dezesseis,
Moravam lá na Juçara
Na quadra quarenta e três
Irandi, a velha mãe,
E o esposo Juarez.

Não discutiam política
Odiavam opinar,
Os dois estavam indecisos
Sem saber em quem votar,
Até que os candidatos
Foram lá lhes visitar.

Numa bonita manhã
Quando o sol apareceu,
Artur Freitas sorridente
Palmas na porta bateu,
Irandi estava só
E em casa o recebeu.

O candidato lhe deu
Um abraço carinhoso,
Que deixou na roupa dela
O seu perfume cheiroso
A mulher foi a loucura
No momento precioso.

Artur pediu o seu voto
Despediu-se e foi embora.
A mulher foi pra cozinha
E disse: Nossa Senhora
Por pouco não tive um treco
Quase me acabo agora!

Na manhã do outro dia
Quando o sol apareceu
Kelly Correia elegante
Palmas na porta bateu
Juarez estava só
E em casa a recebeu.

A candidata lhe deu
Um abraço carinhoso,
Que deixou na roupa dele
O seu perfume cheiroso
Juarez foi a loucura
No momento precioso.

Kelly pediu o seu voto
Despediu-se e foi embora.
Juarez foi pra cozinha
E disse: Nossa Senhora!
Por pouco não tive um treco
Quase me acabo agora!

Na manhã do outro dia
Quando o sol apareceu
Antônio Carlos, alegre
Palmas na porta bateu
A velha estava só
E em casa o recebeu.

O candidato lhe deu
Um abraço carinhoso,
Que deixou na roupa dela
O seu perfume cheiroso,
A velha foi a loucura
No momento precioso.

Antônio Carlos pediu
O seu voto e foi embora.
A velha foi pra cozinha
E disse: Nossa Senhora!
Por pouco não tive um treco
Quase me acabo agora!

À noite Irandi pensava
Numa cadeira sentada:
“O abraço de Artur
Deixou-me atordoada,
A barba dele bem feita
Deixou-me arrepiada.

Aquelas mãos me apertando,
Aquele lindo sorriso,
É o homem mais bonito
De todo meu paraíso,
O meu prefeito é Artur,
É 15 no meu juízo!".

Juarez também pensava
Na janela debruçado:
“Aquele abraço de Kelly
Deixou-me atordoado,
O seu cabelo lisinho
Deixou-me apaixonado.

Aquelas mãos me apertando,
Aquele lindo sorriso,
É a mulher mais bonita
De todo meu paraíso,
Kelly é minha prefeita,
44 no juízo!”

A velha também pensava
Na sua cama deitada:
“O abraço de Seu Antônio
Deixou-me atordoada,
Aquelas mãos me afagando
Me deixaram arrepiada.

Aquele corpão bem alto,
Aquele lindo sorriso,
É o homem mais bonito
De todo meu paraíso,
Seu Antônio é meu prefeito,
É 12 no meu juízo!"

Daquele dia pra frente
Ficou tudo decidido.
O forte abraço da musa
Enfeitiçou o marido
Que passou diariamente
A seguir o seu partido.

Assim como a mulher:
Depois que o galã passou
Lhe deu um forte abraço
E a barba nela roçou
Deixou-a enfeitiçada
E o voto dela ganhou.

Como também com a velha
Naquela ocasião
Que o empresário lhe deu
Um grandioso abração
Na hora ganhou seu voto
E também seu coração.

Hoje à tarde eles três
Tiveram uma discussão
Pegaram uma grande briga
Por causa da eleição
Findaram apartando os cacos
Numa zoada do Cão.

Só temos uma certeza
Quando a novela acabar
O empresário, a musa,
E o galã vão se ausentar,
E quem briga por abraço
Sem abraço vai ficar.

Quando a eleição passar
Pode acontecer talvez,
De Irandi fazer as pazes
Com o marido Juarez
E se juntarem com a velha
Na mesma casa outra vez.

AUTOR: CICERO MANOEL CORDELISTA