quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O GALÃ A MUSA E O EMPRESÁRIO





























Nessa eleição pra prefeito
De dois mil e dezesseis,
Moravam lá na Juçara
Na quadra quarenta e três
Irandi, a velha mãe,
E o esposo Juarez.

Não discutiam política
Odiavam opinar,
Os dois estavam indecisos
Sem saber em quem votar,
Até que os candidatos
Foram lá lhes visitar.

Numa bonita manhã
Quando o sol apareceu,
Artur Freitas sorridente
Palmas na porta bateu,
Irandi estava só
E em casa o recebeu.

O candidato lhe deu
Um abraço carinhoso,
Que deixou na roupa dela
O seu perfume cheiroso
A mulher foi a loucura
No momento precioso.

Artur pediu o seu voto
Despediu-se e foi embora.
A mulher foi pra cozinha
E disse: Nossa Senhora
Por pouco não tive um treco
Quase me acabo agora!

Na manhã do outro dia
Quando o sol apareceu
Kelly Correia elegante
Palmas na porta bateu
Juarez estava só
E em casa a recebeu.

A candidata lhe deu
Um abraço carinhoso,
Que deixou na roupa dele
O seu perfume cheiroso
Juarez foi a loucura
No momento precioso.

Kelly pediu o seu voto
Despediu-se e foi embora.
Juarez foi pra cozinha
E disse: Nossa Senhora!
Por pouco não tive um treco
Quase me acabo agora!

Na manhã do outro dia
Quando o sol apareceu
Antônio Carlos, alegre
Palmas na porta bateu
A velha estava só
E em casa o recebeu.

O candidato lhe deu
Um abraço carinhoso,
Que deixou na roupa dela
O seu perfume cheiroso,
A velha foi a loucura
No momento precioso.

Antônio Carlos pediu
O seu voto e foi embora.
A velha foi pra cozinha
E disse: Nossa Senhora!
Por pouco não tive um treco
Quase me acabo agora!

À noite Irandi pensava
Numa cadeira sentada:
“O abraço de Artur
Deixou-me atordoada,
A barba dele bem feita
Deixou-me arrepiada.

Aquelas mãos me apertando,
Aquele lindo sorriso,
É o homem mais bonito
De todo meu paraíso,
O meu prefeito é Artur,
É 15 no meu juízo!".

Juarez também pensava
Na janela debruçado:
“Aquele abraço de Kelly
Deixou-me atordoado,
O seu cabelo lisinho
Deixou-me apaixonado.

Aquelas mãos me apertando,
Aquele lindo sorriso,
É a mulher mais bonita
De todo meu paraíso,
Kelly é minha prefeita,
44 no juízo!”

A velha também pensava
Na sua cama deitada:
“O abraço de Seu Antônio
Deixou-me atordoada,
Aquelas mãos me afagando
Me deixaram arrepiada.

Aquele corpão bem alto,
Aquele lindo sorriso,
É o homem mais bonito
De todo meu paraíso,
Seu Antônio é meu prefeito,
É 12 no meu juízo!"

Daquele dia pra frente
Ficou tudo decidido.
O forte abraço da musa
Enfeitiçou o marido
Que passou diariamente
A seguir o seu partido.

Assim como a mulher:
Depois que o galã passou
Lhe deu um forte abraço
E a barba nela roçou
Deixou-a enfeitiçada
E o voto dela ganhou.

Como também com a velha
Naquela ocasião
Que o empresário lhe deu
Um grandioso abração
Na hora ganhou seu voto
E também seu coração.

Hoje à tarde eles três
Tiveram uma discussão
Pegaram uma grande briga
Por causa da eleição
Findaram apartando os cacos
Numa zoada do Cão.

Só temos uma certeza
Quando a novela acabar
O empresário, a musa,
E o galã vão se ausentar,
E quem briga por abraço
Sem abraço vai ficar.

Quando a eleição passar
Pode acontecer talvez,
De Irandi fazer as pazes
Com o marido Juarez
E se juntarem com a velha
Na mesma casa outra vez.

AUTOR: CICERO MANOEL CORDELISTA

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

NUNCA MAIS VENDO MEU VOTO




 












Autor: Cicero Manoel Cordelista

Eu moro em Alagoas
Num interior grosseiro,
Numa casinha de taipa
Com um pequeno terreiro,
Sou um pobre agricultor
Na roça esse sofredor
Trabalha o dia inteiro.

Na minha casa outro dia
Num tempo de eleição,
No terreiro lá de casa
Desceu de um belo carrão,
Um candidato a prefeito
Junto com outro sujeito
Em certa ocasião.

Num banco eu tava sentado
Na hora que eles chegaram,
Do alpendre da tapera
Eles se aproximaram,
E naquela ocasião
Pegando na minha mão
Eles me cumprimentaram.

Eu mandei eles entrar,
No banco um se sentou,
E o candidato na hora
Ficou em pé e falou:
- Sou candidato a prefeito,
Quero muito ser eleito
Por isso aqui estou!

A minha esposa na porta
Chegou então nessa hora,
Pegando em sua mão
Ele disse sem demora:
- Amigo trabalhador,
Quero o voto do senhor
E o da sua senhora.

Aí eu disse : - Tá certo,
Vou ver se posso ajudar...
Ele pôs a mão no bolso
E então chegou tirar
Cem reais com sua foto
E disse: - Eu quero seu voto,
Vote que vou lhe ajudar!

Não tive outra peguei
O dinheiro sorridente,
Ele apertou nossas mãos
E se despediu da gente,
Foram embora eu fiquei
E o dinheiro guardei
Na carteira bem contente.

Eu e a minha mulher
Votamos no tal sujeito,
Nas urnas lá da cidade
Ele ganhou pra prefeito.
Meses depois se passou
E uma dor me pegou
Quase me mata de jeito.

Peguei a fila do SUS
E cheguei me consultar,
Pois um remédio bem caro
Era preciso eu comprar,
Na rua da amargura
Falei: - Vou na prefeitura
Pro prefeito me ajudar!

Cheguei lá falei com ele
E levei uma facada,
Ele disse: - Meu senhor
Eu não posso fazer nada!
Aí então lhe falei:
- Mas no senhor eu votei
Ajude esse camarada!

Me ajudar naquela hora
Disse ele que não podia,
Disse: - Nós estamos quites
Volte aqui outro dia...
Quando em mim você votou
Na hora você pagou
Os Cem que já me devia!

Criei vergonha na cara
Pelo que cheguei passar,
Hoje se um candidato
Vier meu voto comprar,
Fico valente de mais
E pra casa do Satanás
Eu mando ele se danar!

(Publicado em “Versos de um cordelista” pela Editora Viva no ano de 2014 em Maceió - AL)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

OITENTA E DOIS ANOS SEM O PADRE CICERO
























AUTOR: Cicero Manoel Cordelista

Ha oitenta e dois anos
Na sua flagelação,
Às seis horas da manhã
Na terra da oração
Falecia em casa o padre
Mais famoso do sertão.

“No céu pedirei a Deus
Por toda nossa nação.”
Foram as últimas palavras
Dadas acenando a mão
E abençoando a todos
Dentro do seu casarão.

Quando a notícia espalhou-se
Muitos caíram ao chão,
Chorando desesperados
Em grande desolação,
O sertão entristeceu
Chorou até Lampião.

O Nordeste botou luto
Da capital ao sertão
Quando lá no Juazeiro
Num dia de comoção
Partiu para outra vida
O Padre Cicero Romão.

Quarenta mil pessoas foram
A beira do seu caixão,
Dar o último adeus
Com pesar no coração
Com as lágrimas caindo
Padecendo de emoção.

Seu caixão foi conduzido
Pela grande multidão,
À capela do socorro
Em choro e oração,
Contam que um pombo branco
Chegou pousar no caixão.

Lá foi enterrado o padre
Patriarca do sertão,
Foi servo de Deus na terra
Padeceu humilhação,
Obedecendo a Igreja
E a sua religião.

Foi um homem de poder
Lá em sua região,
Foi pastor dos sertanejos
Com seu cajado na mão
Pregou a paz do senhor
Na força da oração.

Homem de conhecimento
E de uma grande visão,
Cercado de misticismo,
Fatos sem explicação,
Que lhe trouxe aperreios
E muita complicação.

“Meu Padim Ciço é santo”
Diz o homem em procissão,
Sua imagem é colocada
Em toda repartição
Seu nome é pronunciado
Com prazer no coração.

A igreja que o baniu
Já lhe deu até o perdão,
E já está preparando
A beatificação,
Mas para o povo ele é santo
Sem a canonização.

O Juazeiro do Norte
Um misterioso chão,
É símbolo de romaria
E de peregrinação
Em nome do Padre Cícero
O “Santo” de devoção.

Todo dia em Juazeiro
Chega com satisfação
Romeiro de todo canto
Da capital ao sertão
Para visitar a terra
Do Padre Cícero Romão.

Nesse dia enlutado
Com fé e com devoção,
Os devotos do Padrinho
Com o rosário na mão
Vão à missa e cantam cantos
Pedindo sua intercessão.

(Santana do Mundaú – AL / 20 de julho de 2016)